La Pyramide é um exemplo pioneiro de arquitetura modernista e brutalista na África Ocidental. Projetada pelo arquiteto italiano Rinaldo Olivieri e concluída em 1973, essa estrutura de concreto com 15 andares foi concebida como um centro de uso misto, combinando comércio, habitação e escritórios. Permanece como símbolo do “Milagre Marfinense” das décadas de 1960 e 70, sendo hoje candidata à renovação urbana frente ao seu avançado estado de deterioração.
La Pyramide surgiu durante o boom econômico pós-independência de Abidjan como uma síntese ousada entre tipologia de mercado e habitação vertical. O projeto de Olivieri incluía um átrio comercial central com terraços em elevação, evocando a dinâmica de um souk africano tradicional em estrutura de concreto. Os andares superiores abrigavam residências e escritórios, enquanto os níveis subterrâneos serviam para lazer e serviços—discoteca, supermercado e arquivos.
Apesar do destaque inicial, ineficiências no layout espacial—circulação excessiva e altos custos de manutenção—levaram ao declínio do edifício. Na metade da década de 1980, os ocupantes abandonaram o prédio, que entrou em estado de abandono, sofrendo ainda um incêndio em 2015 e degradação contínua.
Hoje, a estrutura representa um testemunho do breve encontro da África com ambições brutalistas. Em 2011, foi anunciada uma iniciativa público-privada de renovação (27 milhões de euros / 18 bilhões de FCFA), mas disputas fundiárias atrasaram o progresso. Em 2021, a posse retornou ao Estado, com promessa de futura reabilitação e reconhecimento como marco arquitetônico—uma espécie de “Gotham piramidal” de Abidjan.
- Dimensões: 15 andares acima do solo, 3 níveis subterrâneos, altura total aprox. de 62 m; cobertura planejada para uso comercial e residencial.
- Estilo: Modernismo brutalista, com terraços de concreto em degraus formando uma silhueta piramidal; concebido para evocar um mercado africano coberto.
- Programa original: Mercado e varejo no térreo; escritórios, estúdios e residências acima; supermercado, estacionamento (até 1.800 carros), boate e arquivos no subsolo.
- Status patrimonial: Ícone da arquitetura moderna da Costa do Marfim; alvo de campanhas de renovação desde 2011.
- Estado de conservação: Abandonado desde o final dos anos 80; deteriorado e considerado estruturalmente inseguro nos anos 2000; parcialmente retomado em 2021—restauração futura prevista.
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Fonte: Wikipedia, SOAS African State Architecture, Lonely Planet, Le Monde.




