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Em setembro de 2026, Nairobi se tornará o epicentro de um evento importante para a arquitetura africana. A partir de 7 de setembro de 2026, o icônico Kenyatta International Convention Centre (KICC) sediará a inaugural Pan-African Architecture Biennale (PAB 2026), a primeira bienal continental dedicada à arquitetura nos 54 países da África.
Curada pelo arquiteto Omar Degan (somali-italiano e fundador do DO Architecture Group), a bienal tem o título “Shifting the Center: From Fragility to Resilience”. Este tema representa um ato radical de reposicionamento: passar de narrativas que apresentaram a África como periferia ou espaço de “fragilidade” para um continente que se reconhece como centro de inteligência espacial, conhecimento ecológico, inovação e criação de futuros.
Segundo Degan e a organização, a bienal busca reclamar a autoria, visibilidade e agência dos arquitetos africanos no discurso global. Não se trata apenas de mostrar projetos, mas de desafiar as narrativas herdadas da colonização e construir uma perspectiva descolonizada e liderada desde a África. O evento reunirá vozes de todo o continente e da sua diáspora para discutir temas urgentes como a mudança climática, a inteligência vernacular, as práticas de reparação e os futuros africanos imaginados coletivamente.
O programa da semana inaugural incluirá exposições, instalações, diálogos principais, assembleias, encontros públicos e eventos satélite por toda a cidade. Entre os participantes confirmados estão estúdios e arquitetos de países como Angola (Banga Coletivo), Senegal (Worofila Collective), Ruanda (MASS Design), África do Sul, Gana, Etiópia, Marrocos e muitos outros, representando uma ampla diversidade geográfica e cultural.
Esta primeira edição não só marca um marco histórico, como também lança as bases para uma bienal rotativa que será realizada em diferentes países africanos nas edições futuras. Como afirma a organização oficial: “A África constrói, pensa e lidera, e sempre o fez. Não se trata apenas de arquitetura. Trata-se de quem tem o direito de definir o futuro”.
O KICC, um edifício modernista emblemático dos anos 70, revela-se um cenário especialmente simbólico: um espaço nascido do otimismo pós-independência que agora acolhe o momento em que a África recentra a sua própria narrativa arquitetônica.
Se você se interessa por uma arquitetura que transcende o formal para se tornar uma ferramenta de pensamento crítico, identidade e resiliência, a Pan-African Architecture Biennale 2026 promete ser um dos eventos mais importantes da próxima década.





